O dia amanheceu sem anúncio. Não houve mudança no céu, nem na temperatura, nem na rotina. Ainda assim, Dominic percebeu que havia algo diferente no modo como a luz atravessava o quarto. Não era mais suave, nem mais intensa — apenas constante. Estável. Como se o mundo tivesse decidido, enfim, parar de testar. Ele abriu as cortinas com cuidado, não por cautela, mas por respeito ao silêncio que já existia ali. O jardim estava como sempre estivera nos últimos meses: vivo, organizado, sem excesso. Nenhuma presença externa, nenhum sinal de vigilância. Pela primeira vez em muito tempo, a ausência de sinais não provocou análise. Apenas aceitação. Dominic ficou ali alguns segundos, mãos apoiadas no vidro, sentindo algo que durante anos confundira com vazio. Agora sabia nomear. Espaço. Atrás dele, Elena se mexeu, ainda presa ao sono leve que aprendera a ter depois de tanto tempo vivendo em alerta. Abriu os olhos devagar. — Já levantou? — perguntou, a voz baixa, sem urgência. — Ain
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