A manhã começou sem pressa. Não por ausência de compromissos, mas porque a casa já não funcionava mais a partir de alarmes internos. Dominic acordou antes do sol, como sempre, porém permaneceu deitado por alguns minutos, atento ao ritmo do lugar. O silêncio não era vazio. Era cheio de continuidade.Elena respirava ao seu lado, desperta, mas sem abrir os olhos. Ele percebeu pelo ajuste mínimo do ombro, pelo modo como ela alongou os dedos contra o lençol.— Já está acordada — ele disse, baixo.— Há alguns minutos — respondeu ela. — Eu estava… ouvindo a casa.Dominic virou o rosto para ela.— E o que ela disse?Elena abriu os olhos então, o olhar calmo, quase divertido.— Que está tudo no lugar.Ele aceitou a resposta sem questionar. Antes, teria analisado o significado, procurado riscos invisíveis. Agora, apenas assentiu. Levantou-se, vestiu a camisa sem pressa e saiu do quarto.Na cozinha, a luz entrava em linhas claras pelas janelas amplas. A mesa já não parecia grande demais. Havia m
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