O carro parou em frente ao portão da casa às quatro da tarde de uma sexta-feira ensolarada.Arthur tinha insistido em me buscar pessoalmente no hospital, recusando qualquer motorista, qualquer enfermeira, qualquer ajuda externa. Ele mesmo carregou o bebê-conforto com Bernardo dentro como se fosse a coisa mais preciosa do universo — o que, na verdade, era.Eu estava exausta. Os hormônios ainda em frangalhos, o corpo dolorido, os seios pesados, mas o coração... ah, o coração estava transbordando.— Chegamos — Arthur anunciou, desligando o motor. — Bem-vinda de volta, Sra. Rocha. E bem-vindo de volta, Bernardo.Do banco de trás, Sophia espiou pela janela, os olhos arregalados.— O Mingau está na porta! — ela gritou. — Ele está esperando a gente!E estava mesmo. O gato branco com laranja estava sentado no degrau da varanda, com aquela expressão felina de "finalmente vocês voltaram, estava na hora", balançando a ponta do rabo com impaciência.Arthur desceu do carro, abriu a porta pra mim e
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