O carro de Gustavo subiu a serra com a suavidade de quem já havia calculado cada curva. Mas, dentro do veículo, a atmosfera era tudo, menos calculada.Mirielen estava no banco do passageiro, enrolada em três camadas de roupa, com um cachecol que cobria metade do seu rosto, vibrando de empolgação. E Gustavo? Gustavo estava dirigindo com uma serenidade impressionante, vestindo a peça de roupa que selara o destino daquela viagem: um suéter de lã vermelho, de gola alta, que o fazia parecer, nas palavras dela, "um ursinho de pelúcia apaixonado".— Você tem certeza de que não está com calor aí dentro, Gustavo? — ela perguntou, a voz abafada pelo cachecol. — Porque eu já estou suando só de olhar pra você.— A previsão é de 8 graus à noite, Mirielen — ele respondeu, sem desviar os olhos da estrada, mas com um sorriso no canto da boca. — E eu prefiro estar preparado. É o meu jeito de cuidar de você.Ela suspirou, aquele suspiro dramático e apaixonado que ele já conhecia bem, e esticou a mão par
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