O sol da manhã iluminava o jardim quando o jornalista chegou.Era Carlos Mendes, repórter do Jornal da Tarde, um homem de meia-idade com olhos cansados mas honestos, cabelos grisalhos e um caderno surrado nas mãos. Tinha sido ele quem cobrira o sequestro de Sophia com discrição, sem expor a menina, sem transformar dor em espetáculo.— Obrigado por vir — disse Arthur, apertando sua mão na varanda.— Obrigado por confiar em mim — Carlos respondeu, com voz calma. — Prometo: nenhuma palavra será distorcida.Sentamos sob a sombra da acácia, onde tudo tinha começado. Eu usava um vestido simples, branco, com detalhes em margaridas bordadas. Arthur estava de camisa clara, as alianças brilhando no dedo. Não havia maquiagem pesada, nem trajes de gala. Só nós. Só a verdade.— Antes de começar — disse Carlos, abrindo seu caderno —, quero que saibam: não estou aqui para julgar. Estou aqui para ouvir. Contem como quiserem, do jeito que for verdadeiro pra vocês.Arthur olhou para mim, buscando permi
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