Paris amanheceu com uma luz suave, quase melancólica, como se a cidade soubesse que estávamos de partida. O céu estava limpo, mas havia uma brisa fresca que fazia as cortinas da varanda dançarem como despedida.Arthur já estava acordado, dobrando nossas roupas com cuidado dentro das malas. Sobre a cama, nossa pasta de couro — agora cheia de ingressos, cartas, pétalas secas, desenhos e pinturas — repousava como um tesouro.— Pronta pra voltar pra casa? — perguntou ele, sem tirar os olhos do que fazia.— Pronta — respondi, envolvendo-me no roupão. — Mas com o coração cheio de Paris.Ele sorriu, aproximando-se para me abraçar.— Paris vai ficar aqui — disse ele, apontando para o peito. — Mas a casa está onde a Sophia e o Mingau estão.Tomamos nosso último café da manhã no terraço do hotel, com vista para o Sena. Pedimos croissants quentes, geleia de framboesa e café forte — exatamente como no primeiro dia.— Lembra quando eu tinha medo de voar? — perguntei, mergulhando um pedaço de croiss
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