Rafael Eu passei a última semana observando Isadora se desintegrar em câmera lenta. Para o mundo, eu sou o CEO implacável, o homem que lê gráficos e antecipa crises, mas dentro daquelas quatro paredes, eu era apenas um homem aterrorizado. Eu via cada sinal: a palidez que a maquiagem não escondia, o modo como ela segurava as náuseas no café da manhã e, principalmente, o silêncio. Um silêncio que me lembrava os porões gelados da minha própria criação com Beatrice. Isadora estava se escondendo de mim. Ou melhor, estava se escondendo da esperança. Eu sabia o que os médicos tinham dito a ela após o acidente. Aquelas palavras malditas — infertilidade, sequelas, impossibilidade — tinham sido gravadas na alma dela como uma sentença. Eu via Isadora pesquisando no celular até tarde, os olhos vermelhos de sono, buscando nomes de doenças terríveis. Ela preferia acreditar que tinha um tumor a acreditar que o nosso amor tinha gerado vida. Ela preferia a morte ao risco de perder um filho novament
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