Isadora — Onde eu coloquei esse celular? Sofia, você pegou de novo? — resmunguei para o vazio do corredor, remexendo em bolsas e gavetas. Eu estava atrasada. O plano de hoje era perigoso para o meu estado emocional, mas necessário: eu iria até o estacionamento do shopping, o local exato onde o "acidente" — ou o ataque de Lívia — aconteceu. Precisava forçar o gatilho, sentir o impacto, mesmo que fosse apenas na imaginação. Sem encontrar o aparelho, desisti. "Que se dane", pensei, saindo de casa. Eu não sabia, naquele momento, que estava deixando para trás a única ponte que ainda me ligava a Rafael. No estacionamento, o ar parecia rarefeito. Parei o carro exatamente na vaga que Fred havia me indicado dias atrás. Fechei os olhos. Forcei a mente até sentir as têmporas pulsarem. Flash. O som de pessoas conversando. O brilho de um farol. O rosto de Lívia, distorcido pelo ódio. O grito de Sofia. A dor lancinante quando minha cabeça atingiu algo duro. Senti uma náusea violenta. A dor er
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