A luz que entrava pelas frestas da cortina tinha um tom diferente, mais alto, anunciando que o dia já tinha avançado além do horário em que, normalmente, Rafael estaria de pé há tempos. O relógio sobre o criado-mudo confirmava: passava das nove. Em qualquer outra manhã, ele já teria feito ligações, mandado recados e caminhado pela propriedade para ver com os próprios olhos o que os relatórios insistiam em mostrar em números. Naquele dia, porém, o corpo tinha imposto outra hierarquia.Camila acordou primeiro de novo, mas, desta vez, o despertar não teve a mesma leveza da noite. Havia um peso estranho no estômago, um enjoo discreto que não se parecia com a fome comum de quem passou muitas horas sem comer. Era uma náusea seca, insistente, como se o organismo tivesse acordado antes da cabeça para avisar que algo estava fora do usual.Ela se sentou devagar na cama, apoiando uma mão no colchão e a outra na própria barriga, sem pensar. Fechou os olhos por um instante, respirou fundo, esperan
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