Camila acordou com a cabeça pesada, como se a noite tivesse sido feita mais de pensamentos acumulados do que de sono. Não lembrava exatamente de quando tinha finalmente apagado, só sabia que, em algum momento, o corpo simplesmente cedeu ao cansaço. Quando abriu os olhos, o quarto ainda estava meio escuro, a luz filtrada pelas cortinas pesadas, e por um instante ela teve a sensação estranha de que nada da véspera tinha sido real: nem a visita ao hospital, nem a visão da mãe encostada na parede da capela pelas palavras de Nicolás, nem a caminhonete entrando pela lateral com uma mulher que não fazia parte do mapa que ela conhecia da Hacienda.
O celular sobre a mesa de cabeceira a trouxe de volta ao eixo. Havia duas notificações: uma mensagem da cozinha avisando que o café estava à disposição no andar inferior e um recado breve de Rafael, enviado tarde da noite.
“Vou dormir no escritório. Confio que você ficou no quarto. Amanhã falamos.”
Ela mordeu o interior da bochecha, sentindo uma pon