Luca sempre dormira como quem desligava o mundo.Bastava deitar, fechar os olhos, e o corpo obedecia. Desde pequeno fora assim. Treinado pelo ritmo da fazenda, pelo cansaço físico, pela disciplina que herdara do pai.Mas naquela semana o sono se tornara um território instável.Ele deitou tarde, virou para um lado, depois para o outro. O teto parecia mais baixo do que de costume. O silêncio da hacienda, que antes era conforto, agora amplificava cada pensamento.Manuela.A palavra surgia sem pedir licença.O jeito como ela desviara o olhar. O tremor no corredor. O bilhete rasgado que ele encontrara dias atrás. A frase que não saía da cabeça: “Fique longe dela, Villalba.”Ele fechou os olhos com força, tentando apagar a memória. Não conseguiu.Levantou antes do amanhecer, vestiu a camisa e saiu para o pátio quando o céu ainda estava acinzentado. O ar frio ajudava a organizar a mente. Ou costumava ajudar.Naquele dia, não ajudou.Ele conferiu os animais, checou a irrigação do setor leste,
Ler mais