Luca não voltou a procurá-la no dia seguinte. Nem no outro.Por fora, parecia que aceitara o pedido dela. Manteve distância, falou apenas o necessário, ocupou-se do trabalho com o pai, das planilhas da produção, das decisões sobre exportação e manutenção das máquinas. O herdeiro responsável. Controlado. Impecável.Por dentro, alguma coisa havia acordado.Ele crescera vendo Rafael Villalba antecipar riscos antes que se tornassem problemas. Não era paranoia. Era leitura de ambiente. Era perceber o desvio mínimo no comportamento de alguém e entender que ali havia uma rachadura prestes a abrir.Luca nunca precisara usar isso com Manuela.Agora precisava.Na primeira manhã, ele apenas observou.Ela atravessava o pátio com a postura correta, o passo firme, o olhar baixo na medida exata para parecer respeitosa sem parecer submissa. Cumprimentava todos pelo nome. Cumpria horários com precisão quase obsessiva. Separava as tarefas com eficiência silenciosa. Era, sem exagero, uma das melhores fu
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