A noite caiu pesada sobre a hacienda, mas Luca não sentiu o cansaço que normalmente vinha com o fim do dia. O corpo estava exausto, os músculos tensos de horas de trabalho e de uma tensão que não tinha nome oficial, porém a mente seguia desperta, elétrica, incapaz de desacelerar. Ele tentou se deitar cedo, apagou a luz do quarto, fechou os olhos e ficou ali, imóvel, escutando o próprio coração bater forte demais para alguém que estava apenas deitado numa cama. Cada vez que o silêncio se estabelecia, vinha a imagem de Manuela atravessando corredores como se estivesse sendo perseguida, desviando o olhar, mudando de trajeto, reorganizando a própria rotina como quem desenha um mapa de fuga dentro da propriedade. A lembrança do bilhete rasgado, da ameaça implícita, da certeza de que alguém estava rondando, misturava-se à frustração pessoal de ser evitado, e a combinação era explosiva.Ele se levantou antes da meia-noite, não por decisão racional, mas porque ficar parado começava a doer mai
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