Rafael bateu na porta com os nós dos dedos, sem força, como se qualquer impacto mais duro pudesse quebrar algo que já estava por um fio. O som ecoou curto dentro da casa pequena e, do outro lado, houve um silêncio imediato, denso, atento demais para ser casual.Camila demorou alguns segundos para abrir.Quando a porta finalmente se moveu, ela apareceu no vão com o bebê nos braços, o corpo ligeiramente inclinado para a frente num gesto automático de proteção. Congelou ao vê-lo. Não houve sobressalto, nem surpresa explícita. Foi como se o tempo tivesse engatado entre uma batida do coração e outra.Rafael estava pior do que ela imaginara.Camila, por outro lado, estava pálida, os traços mais finos, o olhar atento, mas firme. Havia algo nela que Rafael não reconhecia direito. Não era frieza. Era contenção. Uma força construída à base de cansaço e decisão.— Você não devia estar aqui — disse ela, antes que ele pudesse falar.A voz saiu baixa, controlada, sem tremor.Rafael respirou fundo.
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