O dia começou sem sobressaltos, e isso, por si só, já parecia uma novidade. Camila acordou com a luz entrando pelas cortinas e com o peso quente do corpo de Rafael ainda adormecido ao lado dela. Não havia urgência. Não havia aquela tensão constante que, por meses, fizera cada manhã parecer o prenúncio de algum desastre.Ela ficou alguns segundos observando-o dormir. O rosto relaxado, a respiração profunda, o corpo finalmente em descanso real. Aquilo também era novo.O bebê acordou pouco depois, com um som baixo, quase tímido. Camila se levantou antes que Rafael despertasse, pegou o pequeno com cuidado e saiu do quarto. Cruzou o corredor em silêncio, sentindo a casa acordar aos poucos junto com ela.Na cozinha, Nazaré já estava de pé. O avental amarrado, o café no fogo, os gestos de quem conhecia cada canto daquela rotina.— Bom dia — disse Camila, com a voz suave.Nazaré virou-se e sorriu, um sorriso inteiro, desses que não precisam de explicação.— Bom dia, minha filha.Camila coloco
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