Herrera ficou sozinho na sala por alguns minutos depois que Rafael e Camila saíram. O quadro diante dele parecia um organismo vivo, cheio de setas e datas. Respirou fundo, abriu o notebook e foi para a parte que mais confiava: números, cruzamentos, detalhes que gente distraída nem via.Começou pelas datas. Mortes, desaparecimentos, demissões, vendas de caminhões, registros de manutenção na Mena & Filhos. Colocou tudo em uma planilha simples. Quando acrescentou a coluna dos nomes ligados a Arturo, o quadro mudou. Alguns sobrenomes voltavam demais.Fuentes, por exemplo.Herrera franziu a testa. Fuentes constava no histórico recente, ligado ao mecânico Oscar. Mas, quanto mais ele mexia, mais aquele sobrenome aparecia em papéis antigos: lista de funcionários, relatório de acidente, anotação de seguro. Abriu o arquivo digitalizado do processo da época do pai de Rafael, um caso arquivado com rapidez irritante.Lá estava: Aldo Fuentes. Motorista. Trinta e poucos anos. Morto em “acidente de e
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