AnaluOs dez dias depois da oitiva do Zyon são como se o tempo tivesse ficado bêbado, anda devagar, tropeça, para de repente e depois corre sem aviso. A casa vira um limbo. Todo mundo tenta fingir que a vida segue normal, mas o medo paira no ar como fumaça de cigarro barato, você não vê, mas sente no peito, na garganta, nos olhos que ardem sem motivo.Eu acordo de madrugada quase toda noite. Tipo às três, às quatro, quando o silêncio da rua é tão pesado que parece que o mundo parou de respirar. Eu me levanto devagar pra não acordar o Cayo, vou na ponta dos pés até o quarto do Zyon. Abro a porta só uma fresta, o suficiente pra ver o peito dele subindo e descendo debaixo do lençol do Homem-Aranha. Ele dorme de boca aberta, um braço pra fora da cama, o cabelo bagunçado caindo na testa. Eu fico ali parada, olhando, contando as respirações dele como se fosse uma oração. “Um, dois, três… ele tá aqui. Tá vivo. Tá seguro. Por enquanto.” Depois eu volto pra cama, me enrosco no Cayo e tento dor
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