CayoEu cansei. Cansei pra caralho.O carro preto apareceu de novo ontem à noite. Dessa vez eu vi tudo. Bolt latiu louco pra janela, eu levantei da cama correndo, abri a cortina e lá tava o filho da puta parado em frente ao prédio, farol apagado. O homem dentro, silhueta escura, celular na mão, tirando foto da nossa janela. Foto da sala, onde o Zyon corre, onde a Analu tá cozinhando, onde a gente vive. Meu sangue ferveu. Eu desci as escadas de chinelo, saí na rua gritando:— Ei! Sai daí, porra!O carro acelerou, pneus cantando, sumiu na esquina. Eu fiquei lá, respirando pesado, mãos tremendo de raiva. Voltei pra cima. Analu na porta, Zyon acordado no colo dela, olhos assustados.— Pai? Foi o monstro?Eu forcei sorriso, peguei o menino no colo.— Não, filhote. Foi só um carro barulhento. Vai dormir, o Bolt tá te esperando.Ele se aninhou no meu ombro, Bolt latindo baixinho atrás. Analu me olhou, olhos grandes.— Foi ele de novo?Eu fiz que sim.— Foi. E tirou foto.Ela empalideceu.— C
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