Desde que casara, as manhãs tinham adquirido uma previsibilidade quase reconfortante. Ou talvez apenas organizada. Matteo acordava sempre primeiro. Cinco e meia. Sem despertador. Disciplina enraizada. O som contido dos seus passos, a porta do closet a fechar-se com cuidado, o leve ranger da madeira do ginásio privado no piso inferior, tudo fazia parte do ritual.Darya, nas primeiras semanas de casamento, tentara acompanhá-lo. Corridas lado a lado, treinos sincronizados, risos partilhados entre exercícios. Era uma forma de parceria que a fazia sentir forte.Ultimamente, porém, ficava na cama.O cansaço deixara de ser físico. Era mental. Um peso constante na base do crânio. Dormiam tarde, muitas vezes mergulhados em conversas que começavam em trivialidades e terminavam em silêncio denso.Naquela manhã, abriu os olhos quando ouviu o chuveiro a desligar-se.Matteo surgiu minutos depois, envolto numa toalha escura. O cabelo molhado, a postura firme, o olhar atento.— Bom dia, amor.Aproxi
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