O resto do dia no laboratório avançou com uma estabilidade quase artificial. Os colegas iam e vinham, discutiam resultados, partilhavam dados, corrigiam protocolos. Darya fez tudo isso também, mas de forma mais silenciosa, quase como se estivesse a usar o trabalho como forma de manter o mundo em equilíbrio. A folga do dia seguinte era uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo: promessa de descanso, ameaça do vazio que permitiria pensar. E pensar era algo que ela preferia adiar. Quando o relógio marcou as dezoito horas em ponto, o som pareceu mais alto do que devia, quase demasiado consciente da própria existência. Darya sentiu um alívio subtil, não cheio, não feliz, mas necessário. Arrumou papéis, organizou amostras, digitou relatórios com uma precisão mecânica que faria qualquer supervisor orgulhar-se. Era a forma como sempre fizera as coisas: não por paixão, mas por competência. Competência é uma forma de sobrevivência. Quando finalmente desligou o monitor, tirou o jaleco e solto
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