Cheguei em casa quando a noite já havia se instalado por completo, espessa e silenciosa, como um manto pesado sobre a mansão. O motor do carro foi desligado, mas eu permaneci alguns segundos ali, com as mãos apoiadas no volante, respirando fundo. O dia tinha sido longo. Não apenas cansativo, exaustivo em um nível que ia além do físico.A empresa exigia decisões rápidas, postura firme, autoridade constante. Desde o pronunciamento público, os olhares estavam mais atentos do que nunca. Cada passo meu parecia observado, analisado, julgado. Era como caminhar sobre um terreno instável, onde qualquer deslize poderia virar manchete.Saí do carro, ajustei o paletó no corpo e segui em direção à entrada. O som dos meus próprios passos ecoava no piso de mármore, e aquele silêncio incomum me deixou em alerta. Normalmente, àquela hora, Dona Eliza já estaria recolhida, e a casa respiraria uma quietude mais natural.Afrouxei o nó da gravata ainda no hall e passei a mão pelos cabelos, sentindo a tensã
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