A casa dormia.
Não era um silêncio absoluto, desses que chegam a doer nos ouvidos. Era um silêncio habitado. Feito de respirações suaves, de passos que já haviam cessado, de portas fechadas com confiança. Um silêncio que só existe quando alguém se sente seguro o bastante para baixar a guarda.
Camila dormia ao meu lado.
A luz fraca do abajur desenhava o contorno do rosto dela, suavizando ainda mais as linhas já delicadas. O corpo estava voltado para mim, como se, mesmo inconsciente, ela soubesse