Dean não disse mais nada a Leonor naquela noite, ciente do poder que as palavras têm de ferir e curar. No espaço entre eles, o silêncio ecoava, refletindo tudo o que não era dito. A atmosfera na sala era densa, como se as palavras se transformassem em uma névoa que os envolvia, dificultando qualquer comunicação. A tensão era palpável, quase física, semelhante a uma corrente elétrica pulsando ao redor, estalando a cada movimento. Quando Leonor finalmente se levantou para sair, Dean a observou subir as escadas. Seu caminho era metódico, como se seguisse um roteiro fixado, e o modo automático com que passou pela porta do quarto da filha, sem um olhar, fez um frio percorrer a espinha de Dean. Havia um ritual na sua indiferença, um gesto que se repetia diariamente, levando-o a questionar se, em sua mente, ela já havia abandonado a maternidade, buscando desesperadamente um mundo onde a dor não a alcançasse.“O que não é falado, fica entre nós,”
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