ANGELINE HARRINGTON Ao amanhecer, acordei dolorida em lugares que nem sabia existir. Cada músculo protestava, cada marca na pele era um lembrete da noite. Mas, ao contrário de todas as outras manhãs, havia um relaxamento profundo no meu núcleo. E ao meu lado, Nikolai ainda dormia. Seu rosto, em repouso, perdia a ferocidade, revelando uma fadiga profunda e uma paz rara. Observá-lo assim, vulnerável no sono, era um privilégio perigoso. O ambiente era o mesmo quarto opressivo. A mansão ainda era minha gaiola dourada. Mas algo fundamental havia mudado. Já não era apenas uma prisioneira. A escolha que eu fizera na escuridão, de ficar ao lado dele, de aceitar seu acordo sombrio, transformara-me. Era uma peça no jogo, sim. Mas uma peça que havia escolhido o seu lado do tabuleiro, sabendo que as regras eram escritas em sangue e desejo. E, naquele silêncio matinal, olhando para o homem-monstro que me possuía de todas as formas imagináveis, percebi que já não conseguia distinguir onde termin
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