O entardecer de domingo tingia o céu em tons de cobre e violeta. O frio carregava o ar, trazendo o cheiro úmido da mata e o peso de um dia longo demais. Felipe caminhava ao lado de André, o som das botas ecoando contra as pedras do pátio que levava até o prédio das visitas. Haviam voltado do interrogatório e, embora os prisioneiros tivessem falado, as respostas soavam ensaiadas, vazias. À frente, parado diante da entrada, Rafael os aguardava. O vento agitava o sobretudo escuro, e o olhar dele, sereno, guardava o cansaço de quem passou dias sem dormir. — Rafael — chamou Felipe ao se aproximar. O Alfa ergueu o olhar e os cumprimentou com um aceno. — Felipe. André. O Beta respondeu com um leve gesto de cabeça, contido, educado. Mas Felipe percebeu o desconforto discreto, mas presente. André sempre tivera respeito por Rafael, mas agora, depois de saber que ele era o companheiro de sua irmã, algo entre eles havia se quebrado. Felipe compreendeu, mas não interveio. Rafael manteve
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