Horas depois, o quarto deixou de ser apenas um espaço branco e silencioso para se transformar em algo vivo, pulsante, quase doméstico. A porta se abriu devagar e, junto com Abi e minha mãe, entrou o som que eu mais sentia falta: o balbuciar impaciente de dois bebês curiosos com o mundo. Liam foi o primeiro a notar o pai. Seus olhos claros brilharam, o corpo inteiro se mexeu nos braços de Abi, e ele soltou um som agudo, animado, como se reconhecesse algo essencial ali. Misa acompanhava cada movimento com atenção absoluta, como se tivesse medo de piscar e perder aquele instante.— Vem cá, campeão… — a voz dele saiu fraca, mas carregada de emoção.Quando Liam finalmente foi colocado em seu colo, com todo o cuidado que a situação exigia, algo mudou no ar do quarto. Era como se o hospital tivesse desaparecido por alguns segundos. Liam tocou o rosto do pai com curiosidade, apertou-lhe a barba rala, e então, num esforço desajeitado e completamente espontâneo, deixou escapar:— Papa.A palavr
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