AURORAA copa da Tecnocare sempre teve aquele cheiro familiar de café forte misturado ao ar metálico do ar-condicionado, mas naquele dia tudo parecia mais distante, como se eu estivesse sentada dentro de um vidro grosso. O mundo continuava seguindo, funcionando, respirando, falar alto, digitar, rir — mas nada me alcançava. Eu estava ali, sentada no balcão, as pernas balançando distraidamente, mas a mente vagando por lugares que não pertenciam ao presente. Pela primeira vez em dias, eu estava sozinha comigo mesma, sem ninguém tentando me arrancar respostas que eu ainda não tinha.Fechei os olhos por alguns segundos e a lembrança veio com força, como se estivesse presa debaixo da minha pele esperando o momento certo para emergir. A conversa com Valentin na noite anterior. Eu me lembrava de cada palavra, cada expressão, cada silêncio.Estávamos sentados na sala, aninhados um ao outro como sempre fazíamos. Conversavamos pela primeira vez em muito tempo sobre coisas aleatórias, programas
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