— Um cassino.Cruzo os braços diante do amplo e redondo salão subterrâneo. O piso é de mármore polido, tem níveis de um degrau aqui e ali, separando as máquinas e mesas em pequenas ilhas espalhadas. O ar é pesado de luxo e consigo sentir antes mesmo de dar o segundo passo sobre o mármore impecável. Meus saltos ecoam baixo, engolidos pela música suave que desliza pelo salão, como um segredo caro demais para ser dito em voz alta. Tudo brilha. Lustres de cristal pendem do teto alto, derramando luz dourada sobre mesas de jogo, onde fichas coloridas deslizam entre dedos experientes e mãos perigosas. Telas piscam sem parar por todos os lados e os ruídos das máquinas preenchem os arredores. Ecoando, irritantes, ensurdecedores e repetitivos, como uma espécie de hipnose que mantêm os viciados ali, por horas, presos no loop infinito entre apostar, ganhar, apostar mais, quase ganhar e perder tudo.Respiro fundo, e o cheiro me invade, uma mistura de perfume sofisticado, álcool envelhecido e algo
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