97. O que o corpo sussurra
Depois de longos minutos conversando com René, percebi que o tempo havia passado sem que eu notasse. Ele falava animadamente sobre assuntos do trabalho, comentários irrelevantes sobre reuniões, prazos e pequenas fofocas internas que, em outro momento, talvez me divertissem mais. Ainda assim, gostei daquela normalidade. Da sensação de estar ali como alguém comum, e não como a mulher cercada por medos, segredos e ameaças silenciosas. Quando me levantei, ajeitando a bolsa no ombro, disse que iria falar com Kairos. Foi então que vi a porta da sala dele se abrir. Os irmãos de Kairos começaram a sair, um a um, ocupando o corredor com presenças fortes e expressões semelhantes às dele — o mesmo porte seguro, o mesmo olhar atento, ainda que cada um carregasse sua própria nuance. Alguns me cumprimentaram com cordialidade, outros apenas com um aceno educado. Retribuí todos com um sorriso discreto, consciente de que os olhares ao redor se voltavam para mim. Notei, quase de imediato, que algum
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