98. O que não se diz em voz alta
O restante do almoço passou como se estivesse envolto por uma névoa. Eu comi pouco, mais por insistência de Kairos do que por vontade própria. Cada garfada parecia exigir um esforço consciente, como se meu corpo estivesse em desacordo com minha mente. Ele não comentou mais nada sobre o teste, mas sua atenção permaneceu constante — discreta, vigilante, quase silenciosa demais.
Observei seus gestos com cuidado. A forma como ele organizava os talheres paralelos ao prato, como mantinha a postura