Depois que a chamada caiu, o silêncio voltou pesado.Mia permaneceu alguns segundos encarando a tela escura, como se ainda pudesse ver os rostinhos pequenos refletidos ali. Então respirou fundo e limpou as lágrimas com o dorso da mão, num gesto rápido, quase automático. Não podia se permitir desabar. Não ali. Não agora.O peito doía. Doía como se tivesse sido aberto por dentro.Ela levou as mãos ao coração, os dedos pressionando o lugar onde o vínculo ainda existia — fraco, distante, mas vivo.— Eu vou voltar, meus amores... — sussurrou, a voz embargada. — Esperem só mais um pouco...Houve um leve estalo atrás dela.A porta do quarto se abriu por completo.Mia se virou num sobressalto contido.As duas ômegas entraram em silêncio, como se já soubessem que aquele não era um momento para palavras altas. Esmeralda vinha à frente, passos leves, o olhar atento demais. Lupita a seguia carregando toalhas dobradas e um frasco de vidro translúcido que exalava um perfume suave, quase adocicado.
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