POV AmaraOito meses passam de um jeito estranho.Não fazem barulho quando chegam, mas deixam marcas por onde passam. E naquela manhã, enquanto eu amarro uma fita azul-clara no encosto da cadeira da sala, percebo que o tempo não levou tudo embora. Ele reorganizou.A festinha é simples. Do jeito que eu quis.Nada de salão, nada de excesso, nada que tente competir com o que realmente importa. A mesa é pequena, coberta por uma toalha clara. Um bolo singelo no centro, com um “1” tortinho no topo, porque Mateo ainda não entende números — mas eu entendo símbolos. Balões discretos, alguns brinquedos espalhados pelo chão, música baixa tocando no fundo.Casa cheia o suficiente. Coração cheio o bastante.Mateo está no tapete da sala, sentado com dificuldade calculada, batendo dois bloquinhos coloridos um no outro como se estivesse descobrindo o segredo do universo. O riso dele explode alto quando um deles cai longe demais e ele percebe que o mundo ainda responde aos seus movimentos.— Calma, ca
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