POV KillianA primeira noite na cela não foi sobre dormir.Foi sobre não enlouquecer.O colchão é fino demais, o travesseiro parece uma piada e o ar… o ar nunca fica realmente quieto. Há sempre um som: metal rangendo, passos distantes, uma tosse que não para, um sussurro que não quer ser ouvido. O tempo aqui não passa, ele se arrasta.Eu deitei de lado, depois de costas, depois de lado de novo. O corpo cansado, a mente em estado de guerra. Fechei os olhos várias vezes, como se isso fosse um comando capaz de desligar o mundo. Não foi.O encontro com Beatriz voltou como um filme mal editado, repetindo a mesma cena sob ângulos diferentes.O olhar dela pela grade.O jeito como tentou me medir, me ferir, me puxar de volta para o caos que ela criou. A necessidade desesperada de controle por trás da provocação. Eu conheço aquela mulher. Conheci quando era charme. Agora é só medo.Ela queria reação. Queria raiva. Queria poder dizer que ainda me afetava.Não dei.E isso foi o que mais a feriu.
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