POV AmaraA porta do quarto de hóspedes se abre devagar, sem barulho de drama, só aquele rangido tímido de quem sabe que está entrando num território sensível.Elise aparece com o cabelo ainda preso de qualquer jeito, camiseta larga, olhos atentos demais.— Tá… foi impossível não ouvir — ela diz, cruzando os braços, sem ironia, sem ataque. Só verdade. — Antes que você pense besteira: eu não estava espionando. A acústica daqui é uma piada.Eu solto um riso curto, quebrado.— Eu imaginei.Ela se aproxima devagar, como quem não quer assustar um animal ferido. Para a um metro de mim.— Como você está? — pergunta, finalmente.Essa pergunta pesa mais do que deveria. Porque não é “o que aconteceu?”. Não é “o que você vai fazer?”. É como você está.Eu penso em mil respostas. Nenhuma serve.— Confusa — digo, por fim. — Cansada. Com o coração todo bagunçado… mas estranhamente em paz por ter ouvido algumas coisas.Ela inclina a cabeça, me analisando como só quem me conhece desde criança sabe faz
Leer más