POV Amara
A verdade não chega de mansinho.
Ela arromba.
A sala da delegacia era pequena demais para o tamanho do que estava prestes a cair sobre mim. Mesa de metal, duas cadeiras, café frio esquecido num canto.
Elise sentada ao meu lado, coluna reta, olhos atentos, profissional até a medula. Eu? Eu estava com as mãos entrelaçadas no colo, tentando manter o corpo inteiro no lugar enquanto algo dentro de mim já sabia: nada sairia dali do mesmo jeito que entrou.
O investigador respirou fundo antes de começar. Esse detalhe bobo, o fôlego que ele precisou tomar, foi o primeiro aviso.
— Senhora Castellari… — ele disse, num tom respeitoso demais para quem vai destruir uma vida. — O que vou mostrar agora é o resultado de meses de investigação cruzada. Provas documentais, transferências bancárias, escutas autorizadas e depoimentos.
Ele deslizou uma pasta grossa sobre a mesa.
Grossa demais.
Elise abriu primeiro. Os olhos dela correram rápidos pelas páginas. Eu observei o rosto da minha prima m