DonatellaA manhã chegou sem delicadeza.A luz invadiu o quarto pelas frestas da cortina, agindo como uma crítica, expondo o caos do apartamento e, principalmente, o meu estado. Eu fiz um esforço para sair da cama, com o objetivo simples de começar um dia normal, mas meu corpo resistiu. A vertigem surgiu primeiro, rápida, seguida por uma náusea amarga e persistente, como um sinal de revolta interior.Apoiei a mão no criado-mudo e respirei fundo, esperando que passasse. Não passou.Fui até o banheiro com passos lentos, segurando a parede como se ela fosse a única coisa firme no mundo. O espelho devolveu uma imagem que não me agradou: pele pálida, olhos fundos, boca sem cor. Eu parecia alguém que estava lentamente sendo apagada.“Apenas estresse”, eu disse a mim mesma.“Solidão. Falta de sono. Ansiedade.”Era mais fácil acreditar nisso do que admitir que meu corpo respondia ao que meu coração vinha tentando esconder desde que Raphael desapareceu em silêncio.Porque o silêncio dele não f
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