O relógio de parede no meu loft marcou sete e quinze da noite quando o som do interfone tocou, cortando o silêncio tenso que eu vinha alimentando nas últimas horas. Eu já havia ligado para Marcus, meu subchefe no L'Étoile, avisando que me atrasaria para o início do serviço. Minha mente, no entanto, ainda estava no restaurante, ou, pelo menos, era lá que eu queria que ela estivesse. Apertei o botão de liberação da portaria e esperei de pé, encostado no balcão de granito preto da cozinha. Minhas mãos estavam enterradas nos bolsos da calça social escura. Segundos depois, o som rítmico de saltos finos batendo contra o concreto do corredor do andar ecoou até a minha porta. Três batidas leves e compassadas se seguiram. Respirei fundo, ajustando a postura de homem de negócios focado, e abri a porta. A imagem da garotinha de treze anos, de bico emburrado e vestido de babados no casamento de Paris, evaporou da minha mente no mesmo milésimo de segundo. Parada diante de mim, ao lado
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