Fui Trocada, Mas Não Voltei Atrás
Eu não levava jeito para atuar, era medrosa e ainda por cima adorava dinheiro.
Meu único trunfo era um rosto que, segundo diziam, fazia qualquer homem perder a cabeça.
Na primeira vez que o astro Durval Pacheco me viu, ele me chamou para interpretar sua namorada secreta.
Achei que fosse algum filme de grande produção e perguntei, toda animada:
— Tem cachê?
Ele respondeu que me pagaria quinhentos mil por mês.
Na mesma hora, me joguei nos braços dele.
Não foi por amor.
Se continuasse trabalhando naquele ritmo por mais quatro anos, conseguiria juntar dinheiro suficiente para pagar a multa exorbitante exigida pela empresa e voltar para minha cidade, onde montaria uma barraca de linguiça assada.
Mas Durval entendeu tudo errado.
Ele achou que eu aceitava passar cinco anos ao lado dele, mantendo nosso relacionamento em segredo e sem exigir reconhecimento público, porque era completamente apaixonada por ele.
Mais tarde, uma atriz recém-formada chegou ao set.
Ela era jovem e bonita, e seus traços lembravam os meus aos dezenove anos.
Ela apareceu usando o primeiro vestido de gala que Durval havia me dado, tomou conta do meu trailer no set de filmagem e ainda levou para o próprio quarto a gata que criávamos juntos havia quatro anos.
Durval não fez nada para impedi-la. Em vez disso, olhou diretamente para mim e perguntou:
— Você não vai dizer nada?
Pensei seriamente por um instante antes de responder:
— Não se esqueça de comprar areia sanitária sem perfume e com pouco pó. O nariz dela é muito sensível.
Naquela noite, de propósito, ele deu a ela o papel principal feminino do filme que originalmente seria meu.
Todos acharam que eu fosse perder a cabeça. Mas, ainda naquela madrugada, liguei para minha agente, Dalila Porto:
— Dalila, já tenho dinheiro suficiente para pagar a multa. Quero rescindir meu contrato com a agência. E, de agora em diante, não aceito mais nenhum papel nos filmes do Durval.