Mundo de ficçãoIniciar sessão"Dante"
Geralmente, as mulheres da alta sociedade de Vale das Vertentes eram cópias pálidas da minha madrasta: dondocas falsas, submissas, focadas em joias e aparências, que se limitavam a ser muito magras e com muito preenchimento.
Valentina Torres era diametralmente o oposto, era o contraponto, a quebra do paradigma. Naquele momento, aos meus olhos, ela era o antídoto para aquela praga da alta sociedade que eu abominava. Se eu a levasse para a mansão Montenegro como minha esposa, a cabeça da minha madrasta Aurélia explodiria. Se tentassem mexer com ela, a Valentina arrancaria o pescoço deles antes que chegassem perto demais. Imagina como essa mulher defenderia um filho?!
Ela era a blindagem perfeita. E o melhor: ela precisava desesperadamente de dinheiro e eu tinha mais do que podia gastar no tempo de vida que me restava. Era um investimento perfeito!
Interrompi o falatório dela levantando levemente uma das mãos. Apoiei os cotovelos na mesa, entrelacei os dedos e olhei fixamente no fundo dos olhos castanhos dela com o meu olhar mais focado. Ela estava ofegante.
- Terminou, Srta. Torres? - Eu perguntei, a voz polida como se trouxesse a calma de volta ao ambiente.
Ela cruzou os braços sobre o peito farto, batendo o pé no chão, bufando de raiva. Eu quase ri, mas achei melhor não.
- Depende. Você vai tirar a porra do lacre do meu estúdio e me deixar trabalhar em paz?
- Não. O prédio antigo será demolido de qualquer forma amanhã. Já está tudo aprovado e definido. - Eu declarei friamente. O rosto dela caiu em um misto de choque e desespero puro, os olhos brilhando com lágrimas reprimidas que ela se recusava a deixar cair. Antes que ela pudesse começar a gritar novamente, eu me levantei, ajeitando o paletó do meu terno italiano. - No entanto, eu tenho uma proposta muito melhor para você.
A Valentina deu um passo atrás, desconfiada, semicerrando os olhos.
- Proposta? Que tipo de proposta um cara como você teria para mim? - Ela estreitou os olhos.
Caminhei ao redor da mesa, parando a pouco mais de um metro dela. Próximo o suficiente para ver o tremor em seus lábios e o fogo em seu olhar.
- O seu problema é a sua avó, certo?! Eu assumo todos os custos médicos dela na melhor residência de longa permanência particular da cidade, com segurança, conforto e assistência vinte e quatro horas. Ela vai se sentir de férias em um resort para o resto da vida. Eu compro um novo espaço para o seu estúdio, três vezes maior, onde você quiser, e financio a modernização dele. Em troca, você assina um contrato comigo.
A Valentina piscou, completamente aturdida com a mudança drástica de cenário.
- Que contrato? - A voz dela finalmente baixou o tom, desconfiada. Mas não durou muito. - Escuta aqui, mauricinho, se você está pensando que eu sou dessas que seu dinheirinho pode comprar, você está enganado. Eu só quero que você me deixe trabalhar em paz. Porra! Você pode comprar qualquer coisa no mundo, por que não pode deixar aquele prédio quieto no lugar dele e o meu estúdio em paz?
Eu fechei os olhos, respirei fundo e coloquei um dedo sobre a boca dela para tentar calá-la.
- Você fala demais! - Eu comentei e sorri, isso deixaria a Aurélia louca! - Escuta um pouco... e meu nome é Dante, pare de me chamar de mauricinho. Detesto diminutivos! - Eu tirei o dedo dos lábios dela, eram macios e rosados e... foco, Dante!
Eu me afastei um passo. O médico dizer que eu não podia fazer sexo tinha despertado algo primitivo em mim, só podia ser, porque não fazia sentido eu estar reparando nessa mulher dessa forma. Bom, sentido até fazia, Valentina Torres era exuberante, natural com suas bochechas rosadas e corpo cheio de curvas tentadoras. Eu limpei a garganta, focando no que precisava dizer.
- Você tem razão em uma coisa: o meu dinheirinho pode comprar qualquer coisa e eu já comprei aquele prédio. Sobre isso não tem mais discussão. No entanto, eu preciso de uma coisa e você pode me ajudar. Você precisa de uma coisa e eu posso resolver. Acredite, será um ótimo negócio para nós dois e não tem nada a ver com as coisas que a sua mente maliciosa está imaginando.
- Hum! Sei... desde quando o diabo declara suas reais intenções? - Ela bufou e revirou os olhos. - Que tipo de negócio é esse?
- Uma coisinha muito simples na verdade. Um contrato de casamento de conveniência. Você será a minha esposa no papel por um ano, morará na minha casa e usará essa sua boca descontrolada e essa sua fúria para me defender da minha própria família. Em resumo, você vai se divertir descarregando toda essa sua... energia, na minha nada adorável família. - Eu dei um meio sorriso frio. - Parece que de família nada adorável você entende.
- Infelizmente. - Ela suspirou e se jogou na cadeira atrás dela. Eu me encostei na mesa. - Quando você diz ser sua esposa no papel, isso significa...
- Zero contato físico. Quer dizer, quase zero, em público haverá momentos em que precisaremos demonstrar afeto. - Eu falei e esperei que ela absorvesse as palavras. - Só tem mais uma coisa: você aceitará passar por um procedimento de fertilização in vitro para gerar o meu herdeiro legítimo. O que me diz, Srta. Torres? Aceita se casar comigo?
- Um filho? Com você? - Ela se levantou em um pulo e os gritos recomeçaram. - Você é louco? Mas nem fodendo!
- É, não vai ser fodendo mesmo, vai ser por meio mais científico. - Eu respondi e ela jogou os cabelos para trás com um ímpeto de fúria.
- Você é um idiota louco! O que você acha, que as pessoas são objetos descartáveis? Mas nunca, escute bem, nunquinha eu teria um filho seu! Filhos não são brinquedos que você coloca no seu mundinho de blocos de montar e quando se cansa j**a fora. Filhos não devem ser colocados no mundo levianamente. Minha nossa! Você é muito pior do que eu pensei. Foi um erro vir aqui.
Ela se virou, jogando aquele cabelo cheio de ondas para trás e marchou até a porta, a abrindo com o mesmo ímpeto que abriu para entrar, deixando que batessem nas paredes, o que me fez fechar os olhos com o barulho. Os saltos dela repicando pelo piso iam se afastando da minha sala. Mas que mulher era essa? Eu ofereci a ela tudo o que ela queria e ela simplesmente dá as costas quando podia me arrancar muito mais.
Meu ímpeto era sair correndo atrás dela, mas eu me lembrei das palavras do médico: sem esforço físico. Eu respirei fundo, eu daria a noite para a Valentina pensar e perceber que a minha oferta era irrecusável. Eu podia esperar um dia... e sabia exatamente onde encontrá-la.







