"Valentina"Eu abri a porta do pequeno quarto e vi minha avó, D. Isabel, sentada na cama, olhando pela janela. Ela estava magrinha, com os cabelos brancos presos em um coque frouxo. Quando me viu, os seus olhos castanhos brilharam e um sorriso doce surgiu em seu rosto cansado.- Minha netinha linda... - Ela sussurrou, estendendo as mãos trêmulas.Eu caminhei até ela e me ajoelhei ao lado da cama, enterrando o meu rosto em seu colo, sentindo o cheiro familiar de lavanda. No segundo em que seus dedos gentis tocaram os meus cabelos, as lágrimas que segurei o dia inteiro finalmente caíram, molhando o vestido dela. Ela acariciou meus cachos com suavidade.- Tem sido muito difícil para você... desde que seus pais se foram. - A minha avó falou suavemente com aquela voz baixinha.- Mas a senhora faz tudo ser melhor. - Eu respondi, porque era verdade, ela foi o conforto dos meus dias desde que os meus pais se foram. - Vai ficar tudo bem, meu raio de sol. - Ela disse, com a sabedoria de quem j
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