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Autora: Edivania Rios Romance de Época – Anos 1950 Protagonistas: Leonardo e Linda Todos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado infração legal, nos termos da LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Leonardo narrando... Assim que saí da casa da minha madrasta, resolvi pegar o carro do papai e seguir para a casa da mamãe, na cidade de Barreto. Dormi a tarde toda na residência do meu pai — a bruxa sempre aparece quando eu tento sair despercebido. Fico naquela casa, mas mantendo sempre uma distância segura, pois de lá só recebo desaforos; e assim, procuro sempre fugir de confusões. Chegando à casa... — Mãe, estou chegando. — Meu filho lindo! — Trouxe alguns queijos para a senhora e as compras do mês. — Estou tão preocupada com você, meu filho. Minha mãe sentou-se perto da janela. A mesa de sempre, com linhas prontas para o crochê, e uma cadeirinha fina, colocada estrategicamente perto do ar livre. — Estou aproveitando essa brisa fresquinha, meu filho. — Sim, mãe, é muito bom. — O que você tem, meu filho? — A senhora não deveria se preocupar comigo — respondi, aproximando-me e agachando para pedir a benção. Ela me abençoou com carinho. Depois de um dia de estudos extenuantes, fitiei minha mãe com atenção. — Não finja, meu filho, que está tudo bem. Quando percebo que não está, eu digo. Eu errei ao cair na sedução do seu pai, meu filho. Sei que foi um erro, mas você está aqui. E ele não saiu da cozinha enquanto não conseguiu o que queria — e só eu saí como a errada. Sei que fui errada, filho, mas ele também foi. — Sabe, mãe... eu queria ter nascido em uma família pobre, ou rica de vez. — Mas você não nasceu pobre, nem rico. Seu pai tentou me fazer de amante assim que você nasceu, mas eu não aceitei. Pensei em sumir com você, mas ele desconfiou — sabia que você era filho meu desde a gravidez, pois eu não saía de casa para lugar nenhum, não deu para fugir. E depois que você nasceu, cada dia mais parecia com ele. O homem ficou louco por você. Assim, não tive escolha: aguentei tudo o que aguentei para que você tivesse um pai. Mas já te contei essa história várias vezes, e não preciso de julgamentos — todos nós caímos nas armadilhas do pecado. — Não estou te julgando, mãe. Só estou contando os meus dilemas. — Leonardo, arrume uma namorada para você, vá ser feliz. O que o impede de ser feliz, meu filho? Comecei a rir. — Mãe, as moças de família não me querem. As que me querem são as aventureiras. Por eu ser bastardo, por minha madrasta espalhar para toda a cidade quem eu sou... e de qualquer forma, estou tranquilo, nada me falta. Então romance não me importa. Essas moças de família não são para o meu bico — são para o meu irmão. Eu não pertenço à classe de glamour da sociedade. — Alguém já te interessou? — Não, mãe. Nunca apareceu ninguém que despertasse esse sentimento em mim. — Melhor assim, meu filho! Não cometa os mesmos erros que a sua mãe. Era a primeira vez que ela admitia, mesmo sem dizer explicitamente, a profunda tristeza de ter se envolvido com meu pai — um homem dono de quase tudo na cidade. A dor, a vergonha e a paixão... esses sentimentos são difíceis de superar, e além disso, deixam marcas indeléveis na reputação. — A senhora se refere ao meu pai? — Não queria forçá-la a revelar sentimentos ou rancores, mas não pude evitar perguntar. — Sim, me refiro ao cretino do seu pai. Mas não o odeio como você pensa — ele me deu você, Leonardo. Por isso, guardo um ponto de apreço por ele; não posso odiar a metade dele que existe em você. O que eu quero te pedir é para não entregar seu coração à mulher errada — é nesse ponto que eu queria chegar. — Como eu disse, mãe, eu sei muito bem o meu lugar. Não estou desesperado por uma mulher, e não acredito que nenhuma dama me queira para a vida toda. — Me perdoe se estou sendo zelosa demais, mas me preocupo de verdade com o seu futuro. E qualquer uma poderia te querer: você é lindo, e aposto que é o mais bonito da cidade — puxou seu pai, ele também é belo como você. Dei um sorriso. O velho não é fraco não, conquista muitos corações. — Essa ideia de que ninguém te quer... isso me deixa apavorada, só de pensar que você se sente assim tão triste. E se nenhuma rica te quiser, é entre as pobres que você será feliz — talvez uma camponesa que saiba bem o seu lugar no mundo. Sei que você se acostumou com esse mundo de rico, pois seu pai fez questão de te dar esses luxos, e agora você não sabe se é pobre ou se é rico. — Esquece essa história de casamento, mãe — me irritei, pois às vezes explico as coisas e ela não entende. — Estou preocupada com você, Leonardo, você está tão triste. — E a sua preocupação é em vão, mãe! Levantei-me, jantei com ela e fui dormir. Amanhã nem vou à aula, essa tristeza que sinto por dentro nem sei explicar de onde vem. Dois dias depois... Estou na casa do meu pai. Levantei para ir à escola, joguei água fria em uma bacia e lavei o rosto e os cabelos, tentando acalmar a confusão que trazia no peito. Desci e encontrei meu pai, meu irmão e minha madrasta à mesa. Sentei e tomei café com eles — perto do meu pai, ninguém fala nada. — Filho, quando sair da escola, passe na empresa, entendeu? — Sim, pai, eu passo lá. Terminei o café e saí. Meu irmão nunca gosta de andar comigo, sempre fica para trás. Chegando à escola, vi Rick, a namorada Marisa e aquela amiga de infância dele. Cumprimentei-os e segui meu caminho. A primeira aula foi educação física. Eu e Rick fizemos times adversários: eu sou o capitão do meu lado, ele do dele. Todas as meninas da escola gritam o meu nome, e as duas que andam com Rick quase ficam roucas de tanto chamar o nome dele. E como sou um bom capitão, acabo vencendo sempre. — Ei, Leonardo, vamos sair hoje? — Claro, no mesmo lugar de sempre. Ela se afastou e Rick chegou perto. — Ei, Leonardo, consegui! Meu tio não teve direito a nada do meu dinheiro — tudo é meu. — Que ótimo, Rick, parabéns. — Você sumiu, hein, moço. — Estava na casa da minha mãe. Bateu o sinal e fomos para a sala. Eu procurava me concentrar, enquanto Rick e as duas mulheres faziam um alvoroço lá atrás. Coitada da Marisa — essa Linda veio para tirá-la do caminho. Para mim, que se entendam entre eles; nesse meio, eu não entro. Terminadas as aulas, fui até a empresa do meu pai e esperei por ele no escritório. — Chegou, Leonardo? Já almoçou? — Sim, pai. O que o senhor quer comigo? — Quero que você faça aquele projeto de marcação para mim. Só você consegue; mandei seu irmão fazer e ele não deu conta. Você que deveria estar ao meu lado. — Me dê os materiais e me explique como quer, que eu faço. Ele explicou tudo com detalhes, disse que era exatamente daquele jeito que precisava, e depois foi só elogios. Saí da empresa e voltei para casa. Aproveitei que minha madrasta não estava e subi correndo para o quarto, para fazer o dever de casa.






