Mundo de ficçãoIniciar sessãoAutora: Edivania Rios
Protagonistas: Linda e Leonardo Todos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado infração legal, nos termos da LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Rick foi conversar com o advogado e eu tive que ir embora com minha tia, sentindo-me muito cansada. Claro que me despedi do meu amigo de infância, sem vontade nenhuma de ir embora. — Você viu, filha, o que te espera? Aquela garota é a maior pedra no seu caminho, e tem o bastardo também, é claro. — Tia, eu acho que o bastardo não é tão perigoso assim. A senhora o xingou, e o rapaz não respondeu nada; saiu tranquilo. Agora, essa mulher, essa sim eu acho mais perigosa. — Filha, ele é um fingido. Aliás, por ser filho de uma empregada, pode manchar o prestígio de Rick — afinal, nome é honra. — Está bem, tia, eu vou dar um jeito nisso. — Dê mesmo. E sabe quem é a madrasta de Leonardo? É a poderosa Lia. Se você se mostrar inimiga dele, certamente ganhará muitos pontos com ela. Ela pode até conseguir uma vaga para você na mesma escola onde Rick estuda. — Verdade, tia? Faço qualquer coisa contra Leonardo, tudo o que ela quiser. — Vou te levar até lá agora mesmo. — Ah, sim, madrinha! Acredito que teremos grandes parcerias. Depois que minha tia me contou que posso estudar na mesma escola que Rick, senti uma alegria imensa. Vou fingir que vou fazer mal a esse tal de Leonardo — mas não é essa a minha intenção de verdade. O meu objetivo é conquistar Rick. É maravilhoso me sentir em casa, apesar de estar milhas distante do que eu conhecia como lar. Sinto-me feliz com a ideia de ter mais tranquilidade para pensar na vida, longe das exigências que a sociedade nos obriga a seguir e a cumprir. Tudo o que cai ao meu favor coopera com o que eu quero, penso e espero. Essa oportunidade de estudar vem na hora certa: preciso me tornar alguém, unir o útil ao agradável. Dá até para suportar a companhia da minha madrinha, mesmo ela sendo fofoqueira e trapaceira. — Pelo seu sorriso vejo que está gostando de ficar aqui em São Paulo. É muito gratificante saber que está apreciando a estadia — disse ela, sorrindo de volta. Dia seguinte... Aconteceram tantas coisas ontem que não deu tempo de ir à casa de Dona Lia; eu estava exausta demais. Agora, finalmente, estamos a caminho. Chegamos à residência da senhora e, minutos depois, estávamos reunidas debaixo de uma tenda montada no jardim para o chá da tarde, servido com toda a sofisticação típica desses anos dourados. Ela cuidou de cada detalhe para nos agradar. Nós também estávamos bem arrumadas, com vestidos rodados, abaixo do joelho — um verdadeiro luxo. Minha tia havia me dado esse modelo, talvez para que Dona Lia se simpatizasse comigo; os olhos veem tudo o que é caro, e minha madrinha certamente estava cuidando daquela que considerava sua galinha de ovos de ouro. Uma comparação ousada, eu sei, mas que refletia bem o tamanho do golpe que ela quer aplicar em Rick. — Estou encantada com a sua sobrinha, Maria — comentou Dona Lia. — Estava ansiosa para conhecê-la, Dona Lia. A senhora que minha tia tanto elogiou; mesmo tendo passado por tantos sofrimentos, ela tem grande apreço pela senhora, e se ela tem, eu também tenho. A mulher logo fez aquela cara de quem sofreu na vida. — Então você já sabe, minha filha? E ele está aí em casa, o meu castigo em vida. É um menino terrível, e você precisa saber quem ele é de verdade. — Tudo o que eu puder fazer pela senhora, eu farei. — Essa minha sobrinha pode incomodá-lo na escola — acrescentou minha tia —, só que eu não tenho condições de pagar os estudos dela. E ela precisa estudar, Dona Lia... por que a senhora não arruma uma vaga para ela aí? Pode ser o começo da sua vitória. — Claro que sim. Quero fazer com que ele deseje nunca ter nascido. O que essa mulher está pensando? Eu não sou assassina. — Vamos dar um jeito, Dona Lia... basta que ele sofra um pouco — emendei rapidamente. — Confio em você, menina. Amanhã mesmo você começa a estudar na escola. O seu futuro já começou. — Estou muito ansiosa, Dona Lia. Nesse momento, vi o tal Leonardo descendo as escadas. Escondi-me depressa para que ele não me visse; a madrasta dele me ajudou a me esconder. Ele não podia saber que eu estava ali. Ela entrou em casa e ouvi sua voz gritando com ele, mas ele não respondeu nada — da mesma forma que agiu com a minha madrinha. Depois, ele saiu. Ufa! Saí do meu esconderijo, aliviada. — Vamos, Linda, até uma feirinha que tem na cidade — chamou minha tia. — Você vai adorar, acontece todos os dias no vilarejo. Estiquei o braço para pegar um pratinho de broa e me servi de uma. — É mesmo, madrinha? — É sim! Os trabalhadores trazem o que produzem da roça para vender aqui, além de flores e peças feitas por suas esposas. — Mas tudo é muito simples, minha querida — avisou Dona Lia, olhando para mim —, ainda mais que você cresceu em berço de ouro. — Então não vai ser agradável para mim? — Vai sim. De limão, a gente faz limonada. — A senhora não vai, Dona Lia? — Não, filha. E lembre-se: Leonardo não pode saber que somos amigas. — Pode deixar. Quando chegamos às ruas, fiquei admirada com tudo o que vi. O movimento era grande, e eu nem ligava para a simplicidade das coisas — era exatamente isso que eu precisava. Só porque fui criada cercada de luxo não quer dizer que não possa aprender a gostar do que é simples. Preciso aprender a apreciar essa liberdade que tanto almejei.






