Renata
A semana começou com a realidade batendo à porta.
Anatomia logo cedo, pilhas de livros, resumos rabiscados às pressas e aquela sensação constante de que meu cérebro estava sendo esticado além do limite. Primeiro bimestre de medicina não dava trégua e eu sabia disso. Não tinha espaço para distrações… pelo menos era o que eu repetia para mim mesma.
Eu me mantinha focada. Assistia às aulas, anotava tudo, fazia perguntas, me forçava a estar inteira ali. Porque eu precisava. Porque eu lutei muito para estar naquele lugar.
Mas entre um intervalo e outro…
era impossível não conferir o celular.
Na quarta-feira, no meio de uma revisão de bioquímica, ele apareceu na tela.
Rafael:
“Consegui reorganizar meus plantões. Chego em Lavras na sexta à noite. E fico o fim de semana inteiro.”
Meu coração simplesmente disparou.
Fiquei olhando para a mensagem por alguns segundos, sentindo aquela mistura perigosa de alegria e nervosismo. Sexta-feira. Fim de semana inteiro. Ele aqui.
Respirei fundo an