Nos dias seguintes, Isabela viveu dentro de casa como se todos tivessem esquecido de sua existência.
Via Pedro inventar novas maneiras de agradar Beatriz, preparar tudo o que ela precisava comer durante a gravidez e até cancelar reuniões da empresa só para fazer ela sorrir.
Um dia, aproveitando a ausência de Pedro, Beatriz bloqueou o caminho de Isabela, triunfante.
— De que adianta ser casada com Pedro? Ele me prometeu que meu bebê vai ter o sobrenome dele e ser o único herdeiro do Grupo Soares. Já esse que você está esperando é do sequestrador!
Isabela estava descendo para pegar água. Nem olhou para Beatriz; apenas tentou passar pelo lado.
A indiferença deixou Beatriz furiosa.
Ela avançou de repente e deu um empurrão em Isabela.
— Depois de tudo, você ainda quer bancar a superior?
Pega de surpresa, Isabela caiu para trás.
Sentiu a nuca bater com força no corrimão e perdeu a consciência.
Quando acordou, estava outra vez no hospital.
Pedro estava diante da cama e começou a cobrar explicações, ríspido:
— Não bastou machucar os pais de Beatriz? Por que empurrou ela da escada? Você não sabe que Beatriz está grávida?
As palavras atingiram Isabela em cheio.
Ela soltou uma risada, com o corpo tremendo, e perguntou com a voz rouca:
— Eu pareço tão idiota assim?
— O quê?
Isabela se apoiou devagar para sentar.
— Se eu queria machucar Beatriz, por que sou eu quem está internada?
Pedro só demonstrava decepção.
— Porque você ficou com medo depois de empurrar Beatriz e se jogou escada abaixo para bancar a vítima! Já nem reconheço você. Você tinha concordado que ela morasse com a gente. Por que fazer uma coisa tão baixa?
Ele caminhou até a porta.
— Não vou mais visitar você. Aproveita para pensar no que fez.
Ele bateu a porta do quarto do hospital com força.
Isabela ficou olhando para o teto, enquanto as lágrimas escorriam em silêncio.
Respirou devagar e repetiu para si mesma, várias vezes, que logo tudo aquilo acabaria.
......
O dia da alta coincidiu com a conclusão do divórcio.
Isabela foi ao cartório buscar os documentos do divórcio.
Quando voltou para casa, terminou de organizar a bagagem e se preparou para sair.
Tinha acabado de descer com a mala quando Pedro apareceu.
Ele franziu a testa ao ver a bagagem.
— O que está fazendo? Acabou de sair do hospital e já vai doar mais coisas?
Pedro achava que Isabela ia se desfazer de mais artigos de luxo que ele tinha dado a ela.
Isabela não explicou.
Ele se aproximou e tirou um convite do bolso interno do paletó.
— Beatriz é uma pessoa boa. Ela nem culpou você pelo que aconteceu. Hoje é aniversário dela. Escolhe um presente caro e vem comigo.
Isabela ia recusar, mas o celular de Pedro tocou.
Beatriz cobrava a presença dele, manhosa:
— Pedro, por que você ainda não chegou? Está todo mundo esperando...
— Já estou indo.
Depois de responder com carinho, Pedro se voltou para Isabela.
— Vou na frente. Já que você ainda vai doar algumas coisas, resolve isso primeiro e vem depois. Não esquece de levar o presente.
Então foi embora.
Isabela observou Pedro se afastar e, de repente, sorriu.
Daria um presente que ninguém jamais esqueceria.
Colocou a certidão de divórcio e o atestado de interrupção da gravidez em uma caixa de presente e chamou um entregador.
Ela pediu, com a voz tranquila:
— Leve para este endereço. É importante que o destinatário abra o pacote na frente de todo mundo.
Depois que o entregador saiu, Isabela puxou a mala e deixou a mansão onde um dia acreditou que passaria o resto da vida.
Não olhou para trás.
Lá fora, o sol brilhava. Ela respirou fundo e seguiu em direção à sua nova vida.