O motorista estaciona bem em frente ao shopping mais chique da cidade — aquele tipo de lugar que parece ter sido desenhado para humilhar quem ganha salário mínimo. As vitrines brilham com manequins rígidos, vestidos em couro, alfaiataria e grifes que eu só conheço porque já fui recusada em algumas entrevistas de emprego por aqui. É surreal pensar que um pedaço de pano pode custar mais que um carro popular só porque um estilista metido assinou a etiqueta. Juro que às vezes acho que o mundo perde