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Entre Mistérios e Atrações

Ashley acordou naquela manhã com uma sensação de peso no peito, como se algo estivesse errado, mas ela não conseguia identificar o que era. O sol mal havia surgido no horizonte, e as sombras ainda dominavam seu quarto. Ela se virou na cama, tentando espantar a inquietação, mas acabou se rendendo e levantando antes mesmo que o alarme tocasse.

Sua mente imediatamente voltou para Eleonora. Havia algo naquela garota que não saía da cabeça de Ashley. Eleonora parecia uma força impenetrável, cercada por um muro de segredos que a impedia de realmente conhece-la. E, cada vez mais, Ashley se via obcecada em descobrir o que havia por trás de seus olhares misteriosos e seus sorrisos enigmáticos.

Na escola, Eleonora a esperava no mesmo lugar de sempre, encostada na parede do corredor, como se estivesse lá há horas. Ashley observou-a de longe por um momento. Eleonora parecia alheia ao mundo ao redor, completamente tranquila. Era difícil entender como ela conseguia passar tanto tempo sozinha, sem nunca parecer incomodada com isso.

 — Bom dia, — Eleonora cumprimentou quando Ashley se aproximou.

 — Bom dia, — Ashley respondeu, sentindo — se estranhamente nervosa.  

— Você... chegou cedo, não é?

Eleonora deu de ombros.  — Gosto de observar o movimento antes que o caos comece. —

Ashley riu levemente, mas algo ainda incomodava em sua mente.  

— Você nunca parece se misturar com os outros, já percebeu?

 — Isso é uma crítica? —  Eleonora ergueu uma sobrancelha, um leve sorriso no canto dos lábios.

 — Não... só uma observação, — Ashley respondeu rapidamente.  — É só que... parece que você sempre está de fora, olhando de longe. —

 — Talvez eu apenas prefira assim, — Eleonora disse, desviando o olhar, o que deixou Ashley ainda mais desconfiada.

O dia passou com a habitual rotina escolar, mas Ashley não conseguia se livrar da sensação de que algo estava errado. Ela começou a reparar em pequenas coisas sobre Eleonora que antes passavam despercebidas. Como o fato de que ela nunca parecia comer na escola, ou como seus olhos às vezes pareciam mudar de cor, um leve brilho vermelho em momentos de tensão.

Foi no intervalo que algo mais estranho aconteceu. Elas estavam sentadas na biblioteca, conversando sobre trivialidades, quando uma garota passou por elas e acidentalmente derrubou um livro pesado da estante. O som ecoou pela sala, fazendo todos se virarem para olhar, exceto Eleonora. Ela apenas se encolheu por um momento, como se o som tivesse sido um golpe físico.

Ashley franziu a testa.  

— Você está bem?

 — Sim... eu só... odeio sons altos, — Eleonora respondeu, suas mãos apertando as laterais da cadeira.

Ashley não estava convencida. A reação de Eleonora foi rápida demais, quase instintiva, como se algo dentro dela estivesse reagindo de maneira sobre — humana. No entanto, antes que pudesse perguntar mais, Eleonora mudou de assunto, e o momento passou, deixando apenas uma sensação de inquietação no ar.

No final do dia, Ashley não conseguia se livrar da sensação de que Eleonora estava escondendo algo. Ela começou a prestar mais atenção a cada pequeno detalhe: como Eleonora sempre desaparecia durante o horário de almoço, ou como ela parecia evitar certos lugares, como o refeitório e as áreas mais iluminadas da escola.

Quando a aula terminou, Ashley decidiu que precisava investigar mais. Ela seguiu Eleonora discretamente pelo corredor, observando seus movimentos. Eleonora estava andando calmamente em direção à saída, mas então, de repente, ela parou e se virou, seus olhos fixos diretamente em Ashley.

 — Por que você está me seguindo? —  Eleonora perguntou, sua voz soando mais dura do que o normal.

Ashley ficou parada, surpresa por ter sido pega.  — Eu... eu só queria falar com você. —

 — Falar sobre o quê? —  Eleonora perguntou, agora se aproximando de Ashley. Havia algo em seus olhos, algo que Ashley não conseguia decifrar, mas que a deixava desconfortável.

 — Eu... queria saber mais sobre você, — Ashley finalmente disse, tentando manter a voz firme.  — Você sempre parece tão... distante, como se estivesse escondendo algo.

Eleonora parou a poucos centímetros de Ashley, seu olhar se suavizando levemente.  

— Ashley, todos nós temos segredos. Alguns são mais fáceis de carregar do que outros.

 — Mas você não precisa carregar sozinha, — Ashley respondeu, sentindo seu coração acelerar.  

— Eu quero entender você, Eleonora. Quero saber quem você realmente é.

Por um momento, Eleonora não disse nada, apenas olhou profundamente nos olhos de Ashley, como se estivesse decidindo se podia confiar nela. Finalmente, ela soltou um suspiro e deu um passo para trás.  

— Talvez um dia, Ashley. Talvez um dia eu te mostre quem eu realmente sou. Mas não hoje.

Com isso, Eleonora se virou e saiu, deixando Ashley com mais perguntas do que respostas. Ela ficou ali, parada no corredor vazio, sentindo a frustração crescer dentro dela. Havia algo muito errado com Eleonora, e Ashley estava determinada a descobrir o que era.

Quando Ashley chegou em casa, o clima estava ainda mais tenso do que de costume. Sua mãe estava na cozinha, preparando o jantar, mas o olhar cansado em seu rosto mostrava que o dia havia sido difícil.

 — Oi, mãe, — Ashley disse, entrando na cozinha.

 — Oi, — sua mãe respondeu sem olhar para ela.  

— Como foi a escola?

 — Normal, — Ashley respondeu, sentindo o peso da tensão no ar.  — E o trabalho? —

 — Exaustivo, — sua mãe respondeu, finalmente se virando para olhar para Ashley.  

— Nós precisamos conversar, Ash. — Ashley sentiu um frio na barriga.  

— Sobre o quê?

 — Sobre tudo isso, — sua mãe disse, gesticulando em volta, como se estivesse tentando abranger a situação toda.  — A mudança, a separação, nós duas... Eu sei que isso não tem sido fácil para você.

Ashley suspirou, sentindo a familiar sensação de sufocamento sempre que o assunto surgia.  

— Eu estou lidando com isso, mãe. Estou me adaptando.

 — Eu sei que está tentando, Ash, — sua mãe disse suavemente, dando um passo em direção a ela.

 — Mas eu também sei que você não pode carregar tudo sozinha. Eu me preocupo com você.

 — Eu estou bem, de verdade, — Ashley insistiu, tentando manter a voz calma.  — Eu só... preciso de tempo.

Sua mãe a observou por um longo momento antes de finalmente assentir.  

— Tudo bem. Mas saiba que eu estou aqui, se você precisar de mim. —

Ashley apenas balançou a cabeça, sentindo a pressão aumentar dentro dela. Ela sabia que sua mãe estava tentando, mas parecia que nada poderia aliviar o peso que estava carregando. Entre a tensão em casa e o mistério que cercava Eleonora, Ashley sentia como se estivesse constantemente à beira de explodir.

Naquela noite, enquanto tentava dormir, Ashley não conseguia parar de pensar em Eleonora. Havia algo nela que a atraía, uma força que Ashley não conseguia resistir, mesmo sabendo que havia perigo envolvido. E, apesar de todas as suas dúvidas, ela sabia que não conseguiria ficar longe de Eleonora, não até descobrir a verdade.

Seus pensamentos vagaram para os pequenos detalhes: o jeito como Eleonora evitava lugares iluminados, como ela parecia estar sempre em alerta, e aquele brilho estranho em seus olhos de vez em quando. Tudo isso apontava para algo que Ashley não queria admitir em voz alta, mas que estava começando a se tornar impossível de ignorar.

 — Eleonora... o que você realmente é? —  Ashley sussurrou para si mesma, enquanto o sono finalmente a alcançava.

No fundo de sua mente, ela sabia que a resposta estava mais perto do que nunca, e que, quando finalmente a encontrasse, nada mais seria o mesmo.

Ashley não conseguia tirar Eleonora da cabeça. As perguntas cresciam em sua mente, e a sensação de que Eleonora estava escondendo algo ficava mais forte a cada dia. Decidida a descobrir mais sobre ela, Ashley resolveu perguntar discretamente sobre Eleonora para alguém da escola.

Durante o intervalo, ela se aproximou de Vincent, um dos poucos alunos com quem tinha trocado algumas palavras desde que chegou. Ele estava sempre por perto, era amigável e parecia saber muito sobre as pessoas ao redor.

 — Ei, Lucas, — Ashley disse, tentando soar casual enquanto se aproximava dele no corredor.  

— Você conhece bem os alunos daqui, né?

Lucas olhou para ela com um sorriso leve.  

— Eu diria que sim. Por quê? Interessada em alguém? —  Ashley riu, tentando disfarçar o nervosismo.  — Ah, é mais curiosidade mesmo... Sobre uma garota que eu conheci recentemente. O nome dela é Eleonora. Você a conhece?  Lucas parou por um segundo, parecendo ponderar sobre o que diria.  

— Eleonora? Claro que conheço. Quem não conhece, né? Ela é... bem popular. 

 — Popular como? —  Ashley tentou sondar mais.

 — Bem, não é o tipo de popular que se vê em filmes adolescentes, sabe? Eleonora é... diferente. As pessoas meias que a respeitam, mas de longe. Ninguém chega muito perto. E tem aqueles rumores, claro... — Lucas disse, abaixando o tom de voz, como se não quisesse que mais ninguém ouvisse.

 — Rumores? —  Ashley perguntou, inclinando — se um pouco mais perto.

 — Sim, sabe como é, coisas que as pessoas falam. Mas são só fofocas bobas, nada para levar a sério, — ele acrescentou, tentando desviar o assunto.

 — Tipo o quê? —  Ashley insistiu.

Lucas olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava prestando atenção.  

— Algumas pessoas dizem que ela tem... hábitos estranhos. Que ela nunca come na escola, sempre evita a luz forte e... que nunca a veem à noite, como se ela desaparecesse. Mas, sério, é tudo exagero. Só fofocas. —

Ashley franziu a testa, absorvendo aquelas informações. Mesmo sendo apenas rumores, eles pareciam se encaixar com o que ela mesma havia observado.

— Entendi... Valeu, Lucas.

 — Sem problemas. Mas, se eu fosse você, não me preocuparia muito. Eleonora não parece ser do tipo perigoso. Só... diferente, — ele disse, dando de ombros antes de se afastar.

Mais tarde naquela noite, deitada em sua cama, Ashley se pegou pensando nas palavras de Lucas. Diferente. Era uma descrição suave para alguém que parecia ter segredos tão profundos. Ainda com o celular na mão, ela decidiu procurar Eleonora nas redes sociais. Talvez houvesse algo que ela ainda não sabia, alguma pista que poderia ajudá-la a entender melhor quem era aquela garota que tanto a intrigava.

Ela abriu o aplicativo de mídia social e digitou o nome de Eleonora na barra de pesquisa. Vários perfis apareceram, mas apenas um parecia pertencer à Eleonora.

Ashley deslizou pelas postagens, a maioria com fotos dela de rosto e com alguns amigos e outras frases enigmáticas e fotos de paisagens noturnas. Havia algo definitivamente sombrio e misterioso em sua presença online. Ela se sentia cada vez mais atraída por aquele mistério, ao mesmo tempo que uma sensação de desconforto se instalava em seu peito.

 — Quem é você, Eleonora? —  Sussurrou para si mesma, enquanto continuava a vasculhar o perfil em busca de qualquer sinal de normalidade. Mas a normalidade não estava em lugar algum.

Após alguns minutos, sem encontrar nada revelador, Ashley suspirou e colocou o celular de lado. Por mais que tentasse, ainda não conseguia desvendar o enigma que era Eleonora. Fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos turbulentos e se forçar a dormir.

Mas, no fundo de sua mente, a sombra de Eleonora ainda pairava, ocupando cada espaço de seus pensamentos.

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