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Novos Começos, Velhas Feridas

No dia seguinte, na escola, Ashley não precisou procurar por Eleonora. Como sempre, a garota estava lá, quase como uma sombra que a seguia sem esforço. No entanto, havia algo diferente no olhar de Eleonora naquela manhã, algo que Ashley não conseguia decifrar. Curiosidade? Preocupação? Talvez ambos.

 — Ei, ruivinha, — Eleonora disse com um sorriso, mas Ashley notou que seus olhos não acompanhavam a leveza da expressão.

 — Oi, — respondeu Ashley, observando-a de perto.  — Está tudo bem? 

 — Sim, claro, — Eleonora respondeu rápido demais. Ela desviou o olhar, como se não quisesse encarar a pergunta diretamente.

 — Você está estranha, — Ashley comentou, direta, enquanto caminhavam em direção à sala de aula.

 — Eu? Estranha? —  Eleonora soltou uma risada curta.  — Você me acha estranha todos os dias.

 — Não desse jeito, — Ashley insistiu, parando de andar para olhar diretamente para Eleonora.  

— O que está acontecendo?

Eleonora suspirou, enfiando as mãos nos bolsos e olhando para o chão.

 — Às vezes, o passado vem nos assombrar, sabe?

 — Que passado? —  Ashley perguntou, intrigada.

 — Meu passado... é complicado, — Eleonora murmurou, levantando o olhar e encontrando os olhos de Ashley com uma intensidade que a fez arrepiar.

Antes que Ashley pudesse pressiona-lá mais, o sinal tocou. Eleonora apenas sorriu de maneira desconcertante e puxou Ashley para a sala.

Durante o intervalo, as duas foram para o lugar de sempre: a biblioteca. Ashley já estava se acostumando à rotina e, de alguma forma, começava a se sentir à vontade ao lado de Eleonora, mesmo que ainda sentisse que havia mais segredos do que verdades entre elas.

Sentadas em uma mesa afastada, Ashley finalmente quebrou o silêncio.

 — Sobre o que você falou antes... do seu passado. O que exatamente quer dizer com isso? —  Eleonora ficou em silêncio por um momento, brincando com uma caneta entre os dedos.  

— Meu passado é... cheio de coisas que prefiro esquecer.

 — Mas essas coisas parecem te assombrar, — Ashley comentou.

Eleonora olhou para ela, desta vez com um olhar mais suave.  — Sim, talvez.

 — Você vai me contar? Algum dia? —  Ashley perguntou, esperando uma resposta direta, mas já se preparando para mais uma evasiva.

Eleonora sorriu, mas foi um sorriso triste.  

— Talvez, Ashley. Talvez eu te conte, se você ficar por perto por tempo suficiente.

Ashley não respondeu imediatamente. Em vez disso, ela se inclinou para frente, cruzando os braços na mesa.  

— Eu não vou a lugar nenhum, Eleonora. Quando estiver preparada, estarei aqui.

Por um momento, Eleonora apenas a observou, como se estivesse avaliando a sinceridade nas palavras de Ashley. Então, ela sorriu novamente, dessa vez de um jeito mais verdadeiro.

 — Eu sei.

Na saída da escola, Eleonora insistiu mais uma vez em acompanhar Ashley até em casa. Elas caminharam lado a lado, o silêncio preenchido por uma espécie de tensão confortável, como se ambas soubessem que havia algo crescendo entre elas, mas nenhuma estivesse pronta para reconhecer isso em voz alta.

 — Você é sempre assim com todo mundo? —  Ashley perguntou de repente, quebrando o silêncio.  — Sempre tão misteriosa?

 — Eu não sou misteriosa, — Eleonora riu.

 — É sim! —  Ashley protestou, dando um empurrão leve no ombro de Eleonora.  — Você fala como se fosse protagonista de um livro cheio de segredos sombrios. —

 — Quem disse que não sou? —  Eleonora provocou, piscando para Ashley de maneira brincalhona.

 — Viu? É exatamente disso que estou falando! —  Ashley exclamou, rindo.

— Você sempre j**a essas frases enigmáticas e me deixa mais curiosa.

 — Talvez eu goste de manter as pessoas curiosas, — Eleonora respondeu, agora com uma expressão mais séria.  — Talvez seja mais seguro assim. 

Ashley parou de andar, fazendo Eleonora parar também.  — Seguro para quem? —

 — Para todos nós, — Eleonora respondeu, os olhos fixos nos de Ashley.

O coração de Ashley deu um salto no peito. Havia algo na maneira como Eleonora a olhava que a fazia sentir uma mistura de medo e fascinação. Mas, ao mesmo tempo, havia uma atração crescente que ela não conseguia ignorar, uma força que a puxava para mais perto de Eleonora, mesmo que houvesse partes dela que gritavam para ela ser cautelosa.

Elas ficaram ali por um momento, apenas se encarando, até que Eleonora quebrou o contato visual e sorriu suavemente.  — Vamos, já estamos quase na sua casa.

Ashley não disse nada, apenas continuou andando ao lado de Eleonora. As palavras que não foram ditas entre elas pareciam mais altas do que as que realmente haviam sido trocadas.

Quando chegaram à porta da casa de Ashley, Eleonora mais uma vez hesitou antes de se despedir.  — Amanhã, mesma hora?

Ashley sorriu, mesmo com as perguntas não respondidas ainda rodando em sua mente.

 — Claro.

Eleonora assentiu, e por um breve instante, Ashley pensou que a garota iria dizer algo a mais, algo importante. Mas, em vez disso, Eleonora simplesmente se virou e começou a se afastar, como sempre fazia.

 — Espera! —  Ashley chamou antes que pudesse se conter.

Eleonora parou e olhou para ela, curiosa.  

— Sim?

 — Você... não é como todo mundo, né? —  Ashley perguntou, sem saber exatamente o que esperava como resposta.

Eleonora deu um sorriso enigmático, o mesmo que Ashley já havia visto tantas vezes antes.  

— E você, ruivinha, também não é.

Com isso, Eleonora se foi deixando Ashley mais confusa e curiosa do que nunca.

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