5

Eu a acompanho até a porta.

— Temos uma prova de vestido. Vou buscá-la mais cedo.

Ela diz e sai. Eu fecho a porta e sinto um nó subir pela garganta. Corro para o banheiro, onde devolvo o pouco que tenho no estômago...

Vou para o meu quarto e ligo para marcar uma consulta no hospital.

Uma hora depois, estou sentada diante do médico, respondendo às perguntas de praxe, e ele pede à enfermeira que faça exames para descartar qualquer infecção.

Meia hora depois, estou diante do médico, que com um sorriso me diz:

— O que você tem não é um vírus. Pelo contrário, é a coisa mais normal do mundo, que se resolverá sozinha em oito meses.

— O quê?

— Sim! Você está grávida, está com quatro semanas de gestação.

Ele diz. Estou chocada. Levo a mão à minha barriga ainda lisa, uma lágrima cai dos meus olhos.

Pego minha bolsa, os papéis e saio. Dirijo em um mar de pensamentos.

Um filho… um filho, fruto de uma loucura, da qual o pai não se lembra…

Chego ao meu apartamento, ando como um zumbi, sem consciência e sem pensamentos.

Vou para um dos sofás, deito e choro.

Choro tanto que adormeço.

A campainha toca e vejo que o identificador de chamadas reflete Pieri.

— Alô!

— Você ainda não está bem? Estou a caminho do seu apartamento, vou cuidar de você, não posso deixá-la sozinha, minha amiga.

— O quê? Não!! Não venha, eu não estou aqui, estou fora da cidade, emergência de última hora… minha tia, você se lembra dela?

— Sim, claro, diga a ela que eu mandei um oi.

— Claro, eu digo… cuide-se.

— Você estará aqui para o encontro, certo?

— Claro que sim.

Eu me despeço, desligo e fecho os olhos.

“Isso não pode estar acontecendo…”

“Mas está… você e ela estão grávidas, com a diferença de que ela não sabe o quanto isso é sério…”

Em um piscar de olhos, ela passou semanas debatendo se deveria contar a verdade ou simplesmente ficar calada.

Mas se ela ficasse calada, tudo o que ela fez seria jogado fora.

Ela tinha que dar um senso de seriedade a tudo o que fazia.

O mundo saberia que Alessandro Berlusconi deixou um herdeiro.

E o filho dela teria um pai… mesmo que isso destruísse completamente o resto do mundo, porque o dela já estava uma bagunça…

Duas horas antes do casamento…

Andando de um lado para o outro, com uma ideia fixa…

Era hora de dizer a verdade.

Ela pegou o resultado da gravidez e saiu em direção à casa de Donatello.

Falaria com ele.

Diria que eles teriam um filho, produto de uma noite que ele havia esquecido.

Dirigiu até chegar aos grandes portões.

Eles se abriram e ela seguiu.

Ela estacionou o carro, apertou o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

Saiu e olhou para a carruagem decorada que levaria o noivo.

Respirou fundo, fechou os olhos, apertou a bolsa e caminhou até a entrada.

Bateu na porta.

Uma moça do serviço a abriu.

— Sr. Rinaldi? Donatello?

— No escritório, com seu pai.

— Obrigada.

Disse ela, cheia de medo e nervosismo.

Ela caminha até o escritório.

B**e na porta.

Ela se abre.

— Olá, Sr. Rinaldi… Donatello.

Eu digo como cumprimento.

— Vim para levar o noivo à igreja…

Digo as palavras com muito nervosismo.

O Sr. Rinaldi bebe todo o seu uísque, deixa o copo sobre a mesa, sai do escritório e nos deixa sozinhos.

Donatello olha para mim como se estivesse examinando meus pensamentos.

Eu lhe entrego os resultados da gravidez.

Ele olha para eles… e me encara furioso.

— Qual é o significado disso?

— Esses são os resultados do que você está vendo… você vai ser pai… vai ter seu próprio filho… nosso filho.

Eu digo.

Ele fica pálido e cai na cadeira atrás dele.

— Isso não pode ser… isso é uma maldita piada.

Ele diz, jogando os resultados na minha cara.

A discussão fica alta.

Estou tão irritada… tão furiosa… que ele me força a fazer a última e pior coisa.

— Em que momento tudo deu errado para mim?

Ele diz, passando as mãos pelo rosto.

— No momento em que você me disse que me amava e que não amava Pierina, Donatello.

— Cale a boca! Você os drogou, acha que sou burro? Que eu não percebi que você é um…

Levanto meu dedo indicador e aponto para ele.

— Cuidado com o que você diz para a mãe de seu único filho.

Ele olha para mim.

Não há mais acordo.

Foi tudo por água abaixo.

— Donatello, você deixará meu filho… nosso filho… para criar o filho de outra pessoa? Você dará seu nome e seu sobrenome a outra pessoa e não ao seu filho?

— Abortar!

Ele grita.

— O que está acontecendo?

Eu não acredito no que ouço.

Instintivamente levo a mão à barriga, protegendo-a.

E é isso que me move.

Fazer o que eu não queria fazer… para salvaguardar a vida do meu filho.

Eu vou fazer isso.

— Olhe, é o seguinte: ou você diz à sua noiva que não vai se casar com ela… ou eu publico esse vídeo na Internet e toda a Itália saberá que tipo de vadia é Pierina D’Alessio.

“Sou a maior vadia da história e da humanidade.”

Engulo o caroço que se forma em minha garganta.

Porque sei que não haverá casamento.

Pierina já deve ter recebido o bilhete que lhe enviei.

Me dói toda essa loucura que provoquei.

Que saiu de minhas mãos e tomou um rumo muito perigoso e triste para todos.

Eu o vejo subir as escadas.

Não sei quanto tempo passa.

E então vejo as portas se abrirem…

E é ela.

Em seu lindo vestido de noiva.

Uma dor aperta meu peito.

Minhas lágrimas caem.

Olho para o primeiro andar e a vejo chegando com suas malas.

E o que acontece em seguida é desastroso.

O momento em que a verdade é revelada.

Pierina foge.

Eu quero correr com ela… mas sei que não devo… não posso.

E é nesse exato momento que os pais de Donatello chegam, como um furacão varrendo tudo.

Lá está o Sr. Rinaldi batendo em seu filho.

Ele me paralisa.

E eu fico em um canto, observando tudo.

— Como você pôde fazer uma coisa dessas?

— Como diabos você pôde humilhar Pierina dessa maneira, Donatello?

“Humilhada? Não… não foi só ela que foi humilhada. Eu também me sinto humilhada assim… sozinha… arrasada… porque nunca imaginei o desastre que minha estupidez causaria.”

Meus pensamentos são frustrados por tudo o que acontece.

Agora estou aqui… ouvindo tudo o que não tive a intenção de provocar.

E uma delas é refletir que sou um vil alpinista interesseiro da fortuna Rinaldi.

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