Clarice
A noite avançava calma, quase vigilante, mas meu corpo demorou a entender que já não precisava permanecer em alerta. Deitei-me com cuidado, como se até o descanso fosse algo a ser aprendido outra vez. O colchão me recebeu, mas minha mente insistia em ficar acordada, repassando sensações, cenas, palavras. A casa respirava ao meu redor. O estalo discreto da madeira, o sussurro do vento brincando nas janelas — sons simples, antigos, que em outro tempo teriam me deixado inquieta. Pela pri