Clarice
Saímos cedo da fazenda para realizar a visita ao abrigo. O sol ainda ensaiava aparecer, tímido, quando começamos a acomodar as caixas na caminhonete. O ar da manhã era frio o bastante para acordar o corpo, mas suave o suficiente para não assustar. Aurora estava agasalhada demais para o clima — casaco fechado até o pescoço, gorro puxado quase sobre os olhos, luvas pequenas escondendo os dedos. Ninguém teve coragem de pedir para ela tirar nada. Havia algo solene naquele dia, um respeito