Lorenzo Narrando…
A semana na V-Tech foi intensa, como sempre. Reuniões com os acionistas de Tóquio na segunda, videoconferência com a equipe de Berlim na terça, jantar estratégico com investidores de Dubai na quarta.
Tudo milimetricamente programado — o tipo de rotina que eu domino. O império que construí não se mantém com hesitação, e sim com precisão.
Do vigésimo sétimo andar da torre principal da V-Tech Global, a vista da cidade é quase hipnótica. Tudo aqui é calculado. Tudo, exceto a bagunça que ela deixou dentro da minha mente.
Helena.
Não há um único dia dessa semana em que o nome dela não tenha atravessado meus pensamentos. Às vezes, surge no meio de uma reunião, como um sussurro inoportuno. Outras, entre uma assinatura e outra, quando o silêncio da sala me lembra o som da voz dela — firme, mas suave.
Eu deveria ter esquecido. Deveria. Mas ela insiste em permanecer. E o pior é que não há lógica nisso.
A tela do notebook exibia relatórios de expansão de mercado. G